
– Vai um churros, patroa?
– Hoje não, obrigada.
– Deus abençoe!
– Você também – respondo baixinho.
As praias têm muitas vozes, cores, contrastes e produtos à venda. São alimentos, bebidas, roupas, acessórios e até potes de mantimentos – de vários tamanhos. É gente que chega e sai num burburinho intenso e braços carregados com bolsas, cadeiras, caixas térmicas e guarda-sóis. Gente que cheira a protetor solar.
A beleza dos lugares visitados nas férias de verão é natural, mas explorada. Muito explorada. O sol quase sempre aparece e marca corpos de todas as idades. Há marquinhas de biquínis e sungas e marconas de camisetas, regatas e calções. A piazada corre solta e, vez ou outra, recua com os assovios dos pais ou os gritos das mães. É fácil se perder.
As águas às vezes são azuis, às vezes verdes, às vezes escurecidas por esgotos. O que parece absurdo, existe: há lixo jogado na areia e lixo boiando no mar.
Toda hora é hora de fazer alguma coisa, ou de não fazer nada. Há tempo para o frescobol, o vôlei, o futebol, o futevôlei, o frisbee, o beach tennis e para a bocha improvisada. Tem até quem jogue tarrafas no canal traçado por barulhentos barcos que circundam a costa. Por ali parece não haver peixes, mas de vez em quando vê-se o sorriso satisfeito de alguém que diz que haverá caldo ao meio-dia.
Tem gente que permanece na praia até anoitecer e noite adentro. Há os que caminham, os que deitam, os que entram e saem da água ou debaixo do guarda-sol. Tem os que tiram fotos, os que dão broncas e discutem a relação. Mas, no geral, a vibe é boa. A caipirinha é deliciosa. Um tom de pagode vem lá do quiosque do outro lado da rua – que ótimo, som alto na areia não pode mais. A cerveja é gelada, o chope também. Tem o milho, o churros, o açaí, sorvete e picolé. Tem olhares que não desgrudam do celular. Tem o flerte discreto de canto de olho.
Tem agito e azaração nos chamados centrinhos, com lojinhas de souvenirs, restaurantes e o toque rústico e alegre de barzinhos pé na areia. Na maioria das vezes é ruim de chegar. Há congestionamentos, ruas esburacadas, vagas escassas e caras de estacionamento – mas é preciso ir para sentir o quenturão já logo cedo ou o vento que arrepia no final de tarde. Sem contar as risadas, as boas risadas.
Há praias tão próximas que quase nem se percebe onde uma começa e a outra termina – uma imensidão para apreciar. Há trilhas com vegetação nativa que contam histórias das tradições locais – e valem cada gota de suor que escorre em bicas. Revelam vilas de pescadores, atracadouros, prainhas, mirantes e refúgios de mares calmos para contemplação do nascer e do pôr do sol.
Enfim, como faz bem estar ali! Uma gaivota dá um rasante e traz no bico um peixe minúsculo. Um quero-quero aparece desconfiado e belisca a areia pertinho da calçada.
– Vai um churros, patroa?
– Hoje não, obrigada.
– Deus abençoe!
– Você também – e retorno a olhar, ora para o livro, ora para o mar.
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As aventuras de janeiro foram aqui por Santa Catarina com a participação especial das amigas: Elisângela, Lilian e Lurysmey, também responsáveis por muitas dessas belas imagens.
O ponto de partida e chegada foi a Praia Alegre, em Penha.
Veja por onde os caminhos nos levaram:
PALHOÇA
Praia da Pinheira e Praia do Sonho



GAROPABA
Praia Central (Centro Histórico)








Praia do Silveira




Praia do Ouvidor




Praia da Ferrugem




Dunas do Siriú







IMBITUBA
Praia do Rosa




PAULO LOPES
Guarda do Embaú












NAVEGANTES
Praia Central –- Praia do Pontal






PENHA
Praia do Cascalho







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UM MENINO NAS RUAS DE ROMA
Este livro também fala de gente e de caminhos percorridos. Fala de memórias vividas e imaginadas. No “Bambino em Roma” (Companhia das Letras, 2024), o escritor e compositor Chico Buarque narra suas vivências e experiências da infância e adolescência em outro país.
A leitura leve e divertida nos faz acompanhar Chico em suas aventuras pela capital italiana entre 1953 e 1955 – uma mistura de realidade e ficção; humor e melancolia; fantasia e saudade. Conta o cotidiano das andanças de bicicleta, dos jogos de futebol, de brincadeiras no parque, de filmes assistidos, de amizades e dos primeiros interesses românticos. Também traz a memória de personagens como o pai, Sérgio Buarque de Holanda; a mãe, Maria Amélia, irmãos e professores da época.
O livro foi um dos finalistas da categoria Romance Literário do Prêmio Jabuti 2025, na categoria ficção.

Para conferir os outros passeios da Sônia pelas praias de Santa Catarina, acesse a categoria “Por onde andei” e para mais dicas de livros, acesse “Li e curti”.
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