Conhecer cidades históricas de Minas Gerais já vagava por minha mente há anos. E, certo dia, soube que uma feira literária aconteceria por lá. Assim, a vontade deu reviravoltas e, finalmente, já havia data marcada para a viagem: maio de 2026.
Na busca por repertório, encontrei ótimas opções na boa companhia de minhas irmãs: Sandra e Silvana. Juro que deu tudo certo, a gente obedeceu às recomendações da mãe e não brigou. Visitamos igrejas, museus, minas, livrarias, monumentos, praças e jardins. Em cada lugar, aprendemos com os próprios olhos, um pouco mais sobre a história do Brasil.
Andamos muito. Ladeiras e escadarias acima, ladeiras e escadarias abaixo. Saltitamos entre as pedras das ruas; trepidamos no tour de “jardineira” e vivenciamos a nostalgia do apito e das batidas das rodas de aço sobre os trilhos da Maria Fumaça.
Nos deslumbramos com a gastronomia, com a paisagem e com o artesanato confeccionado em fios, madeira, ferro e pedra-sabão. A delicadeza, o cuidado e o colorido das peças encantam em cada milímetro.
Enfim, nos sentimos em casa com a receptividade e o jeitinho de ser dos mineiros. Agora já sabemos que: uai é uai, sô.
OURO PRETO













CONGONHAS





TIRADENTES







SÃO JOÃO DEL REI






BICHINHO/PRADOS





LAGOA SANTA





UMA FEIRA LITERÁRIA NO MEIO DO CAMINHO
Sim, bem no miolinho do centro histórico, participamos da 6ª FEIRA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE TIRADENTES (FLITI) entre os dias 06 e 10 de maio. Com o tema “Escrevo, logo existo: vozes que narram o agora”, o evento reuniu leitores, músicos, artistas e muitos autores, principalmente os independentes. Gente boa, fazendo coisas boas.
Na bagagem, além de livros, trouxe muitas palavras, imagens, exemplos e iniciativas que fizeram valer cada minuto e distância percorridos.
Um dos projetos literários que me chamou atenção, pelo caráter filantrópico, é o da LIVRARIA SEBO DELEITE (@sebodeleite – sebodeleite.com). Toda a arrecadação da venda dos livros é utilizada na compra de leite para instituições assistenciais da cidade, como a APAE, por exemplo.
Há estantes e pontos de distribuição espalhados pela cidade e a população e visitantes também podem doar os exemplares a serem vendidos. Comprei o meu em uma cafeteria bem pertinho da FLITI.









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LEITURA QUE COMOVE, ALERTA E FAZ PENSAR
Estar em Minas pedia leitura de autores mineiros. Assim, escolhi o livro: OLHOS D’ÁGUA, de Conceição Evaristo (Pallas Editora, 2014). Nascida em uma favela da zona sul de Belo Horizonte/MG, a autora apresenta uma coleção de 15 contos com temáticas sociais que envolvem, sobretudo, mulheres.
As narrativas são curtas e abordam histórias de personagens negras, a maioria silenciada pelo racismo, pobreza, violência e condições degradantes de trabalho.
Na obra, Conceição apresenta uma escrita de “escrevivência” – um termo criado e explicado por ela como: “uma forma de expressar experiências de quem vive à margem da sociedade e que, mesmo com todas as dificuldades, merecem e não permitem serem apagados da história”.

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